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 CIRCUITO 5: SOURE - DEGRACIAS - ALVORGE
Mapa
Visita virtual
Escarpa da Senhora da Estrela
A sede do concelho
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Reparte-se pelos concelhos de Soure e Ansião esta unidade.
Soure, cujo nome medieval é Saurium, talvez derivado do nome latino Saurus ficou conhecida como importante guarda-avançada de Coimbra, durante as guerras da Reconquista. Tal como Penela, sofreu durante largo tempo as vicissitudes próprias de uma terra de fronteira.
Actualmente, nada resta das suas muralhas, conservando-se apenas as ruínas da alcáçova onde é difícil distinguir o original das obras posteriores. A torre de menagem terá sido das áreas que mais transformações sofreu. D. Manuel, que concedeu foral novo a vila, mandou fazer obras importantes, registadas em 1508 pelos visitadores da Ordem de Cristo que sucedera aos templários na posse desta comenda. Datam desse período as portas do lado norte e a janela de assento, voltada a poente.
Sem ser notável, a vila tem um agradável sabor antigo, com alguns prédios de valor, a que recentemente vieram juntar-se interessantes exemplos de intervenção arquitectónica, assumidamente pós-moderna.
No adro do Castelo, encontrou-se em 1985, nas ruínas da lendária igreja de Santa Maria de Finisterra, um marco miliário de Caracala, reutilizado como sarcófago na Idade Média.
Conjugando este achado com os da Quinta da Madalena e a posição da vila num local fronteiriço, servindo de charneira entre os caminhos viários e o Mondego, verifica-se que Soure desempenhou em tempos romanos um papel tão importante quanto aquele que lhe coube no milénio anterior, como atestam os vestígios arqueológicos do Crasto.
Em 2002 contavam-se no concelho 20.907 habitantes e, Soure, à semelhança das restantes sedes municipais da região, é essencialmente um entreposto comercial de dimensão subregional e um centro prestador de serviços públicos.
O concelho é muito heterogéneo, do ponto de vista físico e sócio-económico, mantendo as actividades do sector primário (agricultura e indústria extractiva) uma importância significativa, se considerarmos os 16% da população activa que a elas se dedicam. O sector secundário ocupa cerca de 34% e o sector terciário, aproximadamente 50%.
Embora a actividade agrícola não tenha, hoje, a importância que teve outrora, dela vemos ainda traços significativos na paisagem. Entre eles avultam as inúmeras quintas disseminadas pelo vale do Arunca e suas imediações e o carácter magestoso de algumas casas senhoriais que, mesmo desabitadas e, nalguns casos, em ruínas, dão importante testemunho de uma actividade que, pelo menos até meados do século actual, terá tido importante desempenho económico.
A atestar o valor ecológico do território do concelho, ali se encontra a área protegida denominada Paúl de Madriz, na margem direita do rio Arunca importante zona de nidificação de garças, patos marrequinhos e galinhas sultanas, onde é visível o contraste entre a vegetação atlântica,na vertente Norte e a vegetação mediterrãnica, na vertente Sul.
Mas também a escarpa da Senhora da Estrela, com as suas penhas e buracas monumentais, já no limiar com o concelho de Pombal.
Locais de interesse: Castelo, Museu Municipal (em fase embrionária), Igrejas de S. Tiago e da Misericórdia, casas solarengas da rua dos Melos, antiga Casa do Povo, Quinta dos Anjos.Paúl de Madriz.Escarpa da Senhora da Estrela.
Mercado: 2ª feira
Festa e Feira de S. Mateus: 21 de Setembro.
Gastronomia: O queijo de Degracias, pão-de-ló e biscoitos de azeite.
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Planalto de Degracias-Alvorge
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Apesar da sua topografia algo confusa e aparentementemente pouco plana, o sector que se situa imediatamente a sul da Serra do Rabaçal, limitado pela cornija monoclinal que dá passagem a Depressão do Rabaçal e pela escarpa da Senhora da Estrela, bem pode chamar-se planalto, năo só pelo modo como se levanta face as regiões marginais mas também pela regularidade das cotas máximas entre 300 e 350 metros.
Dada a exumaçăo muito incompleta das coberturas gresosas que condicionaram a evoluçăo do maciço, e embora estejam presentes algumas formas cársicas de grandes dimensőes, como săo as depressőes de Ramalheira e do Alvorge ou pequenas dolinas transformadas por măo humana em lagoas para dessedentar o gado, no planalto predomina uma paisagem marcada pela falta de afloramentos rochosos contínuos e, consequentemente, por um maior desenvolvimento dos solos e da cobertura arbustiva e arbórea e, sobretudo, por uma agricultura muito mais significativa que retira a paisagem o aspecto rochoso e estéril típico do carso.
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Serra do Rabaçal
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A norte do planalto, a Serra do Rabaçal, com os seus 532 metros, corresponde basicamente a ampla dobra anticlinal fracturada e levantada pelo norte através de um grande acidente tectónico que lhe impõe marcada assimetria. De facto, a vertente setentrional, em face da Serra do Circo, é muito mais abrupta e espectacular que a vertente sul, voltada para o Planalto de Degracias-Alvorge. Dois aspectos merecem referência nesta serra. Por um lado, a morfologia cársica do sector cimeiro com destaque para os amplos anfiteatros de tipo reculée e para os campos de lapiás. Por outro lado, as vistas que daí podem desfrutar-se, nomeadamente em direcção a norte, para as Serras do Circo, Cruto e Alcôncere e, em direcção a oeste, para as terras baixas que se estendem até Soure, o vale do Mondego e o Atlântico, na Figueira da Foz.
Apesar dos maus acessos rodoviários, esta serra, a que com facilidade se pode chegar vindo da povoaçăo das Degracias, bem me merece visita aturada e o passeio a pé que proporciona íntimo e enriquecedor contacto com a natureza.
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Vista aérea da Serra do Rabaçal
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Merce da exumação incompleta do carso, da abundância de coberturas gresosas e da presença de solos agricultáveis, săo muitas as pequenas aldeias que se espalham pelo planalto. Escolhemos três que se situam nas principais rotas rodoviárias que o atravessam: Degracias, Alvorge e Pombalinho. Trata-se de pequenas povoaçőes rurais, sedes de freguesia que, tal como sucede com as restantes aldeias do Maciço de Sicó, têm vindo progressivamente a perder populaçăo e que, em 1991, contavam apenas 249, 123 e 78 habitantes, respectivamente. Apesar de hoje serem aldeias praticamente despovoadas, na arquitectura de algumas das suas casas ou na riqueza das suas igrejas, pode sentir-se um pouco da importância que outrora tiveram no povoamento da regiăo.
Pombalinho foi priorado de apresentação do convento de Ceissa,fundado no séc. IX pelos beneditinos de Lorvăo,na Figueira da Foz, e passado para a Ordem de S. Bernardo em 1195.
Senhorio dos Almadas, com título de vila, chegou a ter processo organizado para atribuiçăo do foral manuelino,embora a sua publicaçăo năo se concretizasse. Antes de pertencer a Soure, Pombalinho integrou o concelho do Rabaçal e sofreu profundamente com a passagem dos invasores franceses.
A freguesia do Pombalinho é rica em vestígios arqueológicos datáveis da Pré-história recente a época romana. A sede ocupa uma posição excelente, do ponto de vista paisagístico, merecendo visita por isso e também pela imagem da Virgem com o Menino que se abriga na igreja matriz. Parece ser a escultura mais antiga que subsiste no concelho, datada de meados do séc. XV e, embora muito repintada, notam-se-lhe as feições idealizadas e o olhar doce e distante característico do seu estilo.
Degracias foi curato do prior do Pombalinho e, como ele, pertenceu ao concelho do Rabaçal até a sua extinçăo em 1853. A igreja paroquial é um templo simples do séc. XVIII guardando, no entanto, capela baptismal mais antiga, de finais do século XVI ou início do seguinte.
A sua localização, bafejada pelo ar puríssimo que aí se respira, cedo tornou Degracias procurada como estância de repouso para doentes pulmonares.
Curiosidade digna de registo é um enorme lajedo nas proximidades da aldeia, construído pelo homem para recolha das águas pluviais que depois eram canalizadas para cisternas, filtradas e encaminhadas para abastecimento público através dos chafarizes da aldeia. Apesar de desactivada nos tempos actuais, esta obra de engenharia rural é, a par com as caleiras de recolha de chuvas nos telhados das casas e as cisternas individuais, o testemunho da luta secular travada pelas populaçőes serranas pelo aprovisionamento de um dos bens mais escassos em território cársico: a água!
Alvorge excede muito, em termos patrimoniais, o seu tamanho real e, embora nesta unidade geográfica apareça distinta dos lugares de Trás de Figueiró, Aljazede e Ateanha, incluídos na unidade II deles năo podemos separar as suas origens mais recuadas.
Todavia, é em tempos medievos que o seu nome surge ligado a uma realidade bem definida. Em 1141, D. Afonso Henriques faz testamento da sua herdade de Alvorge aos crúzios de Coimbra. Situavase ela na vasta área da Ladeia, duramente reconquistada aos muçulmanos. Juntamente com a vizinha herdade de Ateanha e seus termos, Alvorge constituiu ao longo de anos uma linha avançada de vigilância atenta sobre as incursőes inimigas.
Năo é somente o topónimo arabizado - Al (a) borgê - a afirmar que ali existiu uma pequena torre. Dela ficaram muitas referęncias documentais e vestígios arqueológicos.
No séc. XIII, parte da herdade de Alvorge foi dada de aforamento a alguns colonos e, no séc. XVI, por consentimento papal foram todas estas terras e casais integrados nos domínios da Universidade de Coimbra.
A capela quinhentista de Santa Luzia, a igreja matriz, a Misericórdia com sua capela, e algumas antigas casas dăo testemunho de riquezas passadas que nem a passagem das hordas francesas nem as vicissitudes mais recentes apagaram totalmente.
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Estrada de água de Degracias
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O carvalhal de Degracias - Pombalinho
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Este carvalhal estende-se por Degracias, Quatro- Lagoas, Vale Centeio, Pombalinho e Carvalhosa.
É constituído por bosques mais ou menos abertos de carvalho-cerquinho, alguns dos quais atingem desenvolvimento e densidade razoáveis. Associadas a eles, surgem outras espécies lenhosas e herbáceas, bem como algumas lianas, formando os vários estratos característicos.
De porte arbustivo, são abundantes o tojo, o sanguinho-das sebes e a urze. Algumas lianas estăo também presentes,como é o caso da hera, da madressilva-caprina e da legacão. De entre as herbáceas mais características destaca-se a Phlomis lychnitis.Ainda neste estrato herbáceo, observamse algumas espécies como o jarro e a ficária características de zonas sombrias e devidas ao ambiente fresco proporcionado pelas plantas de porte arbóreo.
Entre as povoaçőes de Quatro Lagoas e Vale Centeio, nota-se uma invasão de eucalipto, oliveira e cedrodo-Buçaco. Esta espécie, originária do México e Guatemala, foi introduzida na Europa como ornamental mas surge ocasionalmente como subespontânea.
O carvalhal constitui um ambiente fresco e agradável, com elevada biodiversidade e grande riqueza dos estratos inferiores formando uma manta morta que actua como esponja em tempo de chuva e evita a erosão do solo. Por todos os motivos, deve ser considerado uma relíquia da cobertura florestal da região que urge preservar a qualquer preço.
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