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 CIRCUITO 4: POIOS - SENHORA DA ESTRELA
Mapa
Visita Virtual
Vale dos Poios
Aldeias e Sítios
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Esta unidade inscreve-se nos concelhos de Pombal e Soure. Não sendo a que maiores altitudes apresenta ela é, no entanto, uma das que maior vigor e contraste orográficos regista e que maior espectacularidade na paisagem oferece a quem a visita. Basicamente, corresponde a uma ampla escadaria tectónica através da qual se faz a descida do chamado Planalto de Degracias-Alvorge para o Vale do Anços e para as terrenos gresosos que, a ocidente, limitam o Maciço.
Aliás, a tectónica de fracturação e, nomeadamente, as falhas de orientação meridiana são determinantes na génese das formas de relevo mais marcantes e será ainda o jogo várias vezes renovado dos acidentes tectónicos a justificar a exumação parcial do carso registada na bordadura ocidental do planalto e que permite o afloramento generalizado da rocha calcária e das formas lapiares características.
Tratando-se de uma área de transição e de passagem do maciço para as terras baixas envolventes, esta unidade marca-se por situações de nítido contraste, em termos morfológicos e paisagísticos, de disponibilidades hídricas, da cobertura vegetal e capacidade agrícola dos solos e, consequentemente, do próprio povoamento.
As aldeias que se alinham ao longo do vale do Anços, confundindo-se por vezes entre elas, rareiam sobre os calcários. Para além disso, há nítidas diferenças entre umas e outras. Comparem-se, por exemplo, a povoação da Redinha, situada no vale, com as aldeias dos Poios, na base da escarpa da Senhora da Estrela e Cabeça da Corte, já no planalto. A nítida sensação de abandono que se respira em parte das aldeias serranas e que se traduz de forma nua e crua pelo rigor dos elementos estatísticos disponíveis, é rapidamente confirmada com a observação das pequenas casas com portas e janelas fechadas ou do encerramento das escolas primárias por falta de crianças, a pedirem um novo esforço para reabilitar e valorizar este património construído, disponível para o turismo em espaço rural.
Não é fácil saber o que significa Redinha nem de onde vem o nome. De Rotam ou Rodium, romana ou suevovisigótica, de Rhodina muçulmana, aparentemente dois povoados distintos mas muito próximos, a pedir investigação nos lugares onde apareceram vestígios de mosaico e pedras diversas.
Certo é que a vila se situa no caminho do que seria uma via romana secundária que, entrando nesta zona por Ereiras, seguia a Pousadas Vedras e pela Redinha se dirigia para Conimbriga, hoje ainda assinalada na ponte de origem romana que atravessa o rio Anços.
Dona Teresa e seu filho Afonso Henriques doaram estas terras a Ordem dos Templários, em 1128. Fortificadas e primorosamente agricultadas, ricas em azenhas de cereal e azeite cedo vieram a constituir fonte de disputa, entre aquela Ordem, ou a de Cristo que lhe sucedeu, e a nobreza e o clero. Ao primeiro foral, de Gualdim Pais, sucedeu o que D. Manuel lhe outorgou em 1513,iniciando um período de grande desenvolvimento para a vila. Dele guardam memória o pelourinho, os portais manuelinos da matriz que, na origem, foi templo dedicado a Santa Maria pelos templários, e a casa da Câmara quinhentista.
Situada na rota da terceira invasão francesa, a Redinha foi das povoações mais destroçadas, extinguindo-se o concelho em 1842. A política de reabilitação das estradas do reino viria a abrir-lhe novos horizontes, ajudando-a a tirar proveito dos recursos e belezas naturais que generosamente a cercam.
Cabeça da Corte é designação que parece relacionar-se com criação de gado. De facto, a par da magra agricultura das terras secas em que se instalaram, os seus habitantes devem ter ao longo dos séculos buscado nos rebanhos a sua principal fonte de sustento.
Ora neste alto, aparentemente tão votado ao isolamento, se encontraram há muitos anos, ao arrancar de uma árvore, 440 moedas de prata datáveis da República romana e entesouradas num pote de barro. Economias de legionários em campanha na região? Certeza, apenas a de que os herdeiros do tesouro as dispersaram por mais de um comprador.
Testemunhos arqueológicos configuram o Vale do Poio Novo e os outros vales da zona, como interface pré--histórica de comunicação entre as planícies do litoral e a Serra de Sicó. Investigação sistemática realizada nos últimos anos veio provar a ocupação das suas buracas durante a época paleolítica, revelando também a existência de instalações de ar livre tanto no Vale do Poio Novo como em Passada Má. No início da Idade Moderna, o lugar dos Poios figura entre os vizinhos da Redinha, nomeado no censo real de 1527 como sendo constituído por 13 casais, mas o seu primeiro foral é ainda mais antigo, remontando à data de 1159, por concessão de D. Gualdim Pais, mestre dos templários.
No século XVII, a ermida da Senhora da Estrela que domina a povoação e cujo culto se perde nos tempo medievais, acolheu no seu adro uma irmandade e outra casa, a qual, em conjunto com as lapas, servia de alojamento a romeiros em demanda das nascentes miraculosas do santuário. Mantém, ainda hoje, este santuário os seus devotos enquanto o sítio, por si só, atrai regularmente ocultistas praticantes.
Festa da Senhora da Estrela: Domingo de Pentecostes
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Escarpa da Senhora da Estrela
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A escarpa de falha da Senhora da Estrela é um dos principais acidentes morfológicos desta unidade. Impondo-se rapidamente na paisagem a quem, vindo de oeste, da Redinha e dos Poios, se aproxima do Maciço de Sicó, apresenta-se como uma imponente muralha rochosa de mais de 200 metros de desnível. A pena absolutamente vertical que a encima e as buracas que nela se abrem contribuem para lhe aumentar a grandiosidade. No sector superior da escarpa da Senhora da Estrela coexistem dois tipos de buracas. Para além dos pequenos abrigos com formas por vezes extremamente curiosas e semelhantes aos que podem encontrar-se no Vale das Buracas, abrem-se algumas pequenas lapas de entrada ogival, parcialmente obstruídas por enchimentos detríticos, que mais não são do que as porções hoje inactivas dos sistemas cársicos subterrâneos que ajudaram a criar esta paisagem.
Aliás, na bordadura do Planalto de Degracias - Alvorge, soerguida, praticamente despida de depósitos gresosos e fortemente carsificada (lapiás, dolinas, vales secos), abrem-se algumas pequenas lapas e algares. Aqui, pode encontrar-se o algar mais profundo até agora explorado, o Algar das Quintas com 75 metros e a Lapa da Senhora da Estrela cujos 200 metros de galerias visitáveis a colocam em segundo lugar na lista das cavidades do Maciço de Sicó.
Nesta paragem escarpada, é fácil encontrar o peneireiro de-dorso-malhado, rapina pequena, irrequieta, elegante, simpática. Em voo rápido, rectilíneo, acrobático ou peneirando com rápido bater de asas, como se de um insecto gigante se tratasse, o peneireiro procura constantemente roedores, pequenas aves, lagartos ou insectos que lhe servem de alimento.
Não se dá ao trabalho de construir ninho: basta-lhe o chão de uma pequena concavidade nas escarpas, mas ocupar o ninho abandonado por um corvídeo, também é seu estilo. Aí deposita os ovos. Quando a prole está capaz dos primeiros exercícios de voo, vê-se toda a família em treinos conjuntos.
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Lapa da Senhora da Estrela
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Canhões do Poio Novo e do Poio Velho
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O vale do Poio Novo e, um pouco mais a sul, o vale do Poio Velho correspondem a vigorosos canhões fluviocársicos que quebram a continuidade da escarpa da Senhora da Estrela e estabelecem a passagem do Planalto de Degracias-Alvorge para o sector mais abatido do vale do Anços.
No caso do vale do Poio Novo, ou simplesmente Vale do Poio, o encaixe é da ordem das duas centenas de metros e as vertentes, grosseiramente convexas, apresentam em resposta a diferenciação litológica, uma morfologia de pormenor em que se distinguem sectores perfeitamente verticais, as penas, por vezes com alturas de 30 a 40 metros, perfuradas por buracas e pequenas lapas que, associadas às cascalheiras que juncam os sectores convexos menos declivosos e ŕ raridade de vegetação arbórea e arbustiva contribuem para criar um cenário quase lunar.
O fundo semeado de oliveiras do Vale do Poio, raramente é percorrido por água nos dias de hoje. No entanto, nos invernos mais pluviosos, a água de circulação cársica pode brotar energicamente dos Malhadoiros, pequenas exsurgências ocasionais que funcionam como autênticas válvulas de escape do sistema subterrâneo que alimenta os Olhos de Água do Anços, originando um pequeno curso de água, afluente directo do Rio Anços.
De entre o conjunto de pequenas lapas, que se abrem nas vertentes do Vale do Poio, merecem destaque a Buraca dos Milhares, a Buraca Grande e a Buraca Escura.
Nas rochas calcárias desta área a vegetação é de cobertura escassa, formada por plantas herbáceas ou lenhosas de pequeno porte, fundamentalmente associada as fissuras de penhascos, escarpas ou muros e as rochas onde a acumulação de matéria orgânica permite maior disponibilidade de água e nutrientes minerais.
As espécies que sobrevivem neste meio adaptaram-se bem, desenvolvendo características anatómicas próprias, como sejam uma cutícula forte e peluda, um sistema radicular profundo e ramificado, folhas pequenas que reduzem a exposição solar. Simultaneamente, criaram defesas fisiológicas traduzidas por exemplo em perda das folhas nos períodos mais secos.
Nas zonas com elevada exposição ao sol dominam a arruda-dos-muros, o arroz-dos-telhados, a Micromeria juliana, a parietária, a figueira, a hera, a Linaria supina, o jasmineiro-do-monte, a Calendula suffruticosa subsp. lusita-nica, as bocas-de-lobo e a erva-de-S.-Roberto.
Nas zonas sombrias, em geral, muito mais favoráveis a vegetação, crescem o avencão, a doiradinha, o polipódio, o umbigo-de-Vénus, a Arenaria conimbricensis, o Centranthus calcitrapae, as quaresmas e o Narcissus calcicola.
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O Vale do Anços e os Olhos de Água
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A ausência ou forte redução do escoamento superficial é uma das características principais dos maciços calcários carsificados. A maior parte da água das chuvas entra, de forma mais ou menos difusa, na rede de galerias através de lapiás, algares e, de um modo geral, das fendas superficiais do calcário, para se organizar progressivamente numa rede subterrânea e sair na bordadura dos maciços através de exsurgências mais ou menos localizadas. No caso do Maciço de Sicó, o dispositivo estrutural joga de modo a fazer sair pela bordadura ocidental e, nomeadamente, pelo conjunto de exsurgências do Vale do Anços, cerca de 60% da água de circulação cársica de todo o maciço.
Neste vale escalonam-se quase uma dezena de exsurgências de importância desigual, com destaque para os Olhos de Água do Anços, a sul, e para a exsurgência do Ourão, a norte.
Os Olhos de Água, uma exsurgência já explorada por mergulhadores subterrâneos até à cota de 10 m (cerca de 63 m abaixo da entrada) apresentam um caudal médio anual de cerca 50 Mm3 e caudais instantâneos que variam entre os 400 l/s em fase de estiagem e os 5000 l/s nos picos mais pluviosos de inverno.
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