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 CIRCUITO 6: SICó - POMBAL
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Serra de Sicó
A sede de concelho
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Esta unidade, centrada na Serra de Sicó, pertence por inteiro ao concelho de Pombal. Do seu nome, não se pode ter certeza. Tradição e lenda referem-no ao sítio do castelo como abrigo de pombos.
Alguns achados arqueológicos têm feito pensar que, antes das guerras da Reconquista, a povoação assentaria na Ladeira dos Governos ou nos Chões, a norte do local escolhido por Gualdim Pais para construçăo do castelo. Recebeu ela a primeira carta de foral em 1174 e foral novo de D. Manuel em 1512, inaugurando um período de grande desenvolvimento só comparável ao que sucedeu no séc. XVIII. A 3ª invasão francesa, na sua marcha destruídora, saqueou e incendiou a vila, deixando-a isolada e paralizada. Dos meados do séc. XIX até a actualidade retomou uma vitalidade imparável e um desenvolvimento urbano nem sempre feliz.
Cidade desde 1991, Pombal é um concelho em crescimento com 56.270 habitantes. É simultaneamente o maior aglomerado da área envolvente do Maciço de Sicó. Apesar da forte incidência nas actividades ligadas ao mundo rural ( cerca de um quinto da população activa no sector primário) tem, para além dos serviços próprios de uma sede de município, importantes funções comerciais e industriais com destaque para as indústrias alimentares e as relacionadas com a floresta, nomeadamente a resina.
Cruzamento importante de ligaçőes viárias, Pombal funcionou durante muito tempo como entreposto na EN1, facto do qual resultou a implantação de um grande número de cafés e restaurantes, e também de comércios de cerâmica decorativa dependentes, em grande parte, do comprador ocasional e de passagem. Aliás, a presença destes produtos bem como a significativa produção de telha e tijolo está relacionada com os recursos naturais da regiăo, nomeadamente com as chamadas argilas especiais de Barracão-Pombal, extraídas das formaçőes plio-plistocénicas.
Pombal possui referências diversas e emblemáticas: o Castelo, a Serra, o Marquês de Pombal, o Bodo e as Fogaças. A memória do ministro de D. José está bem presente em edifícios marcantes da cidade e na praça que lhe foi dedicada. O Bodo é uma tradição que remonta ao séc. XIV para uns, ao séc. XII para outros.
Recordam os primeiros o bodo que a Rainha Santa Isabel fez servir no Cardal a todos os capitães e seus homens, para comemorar a paz celebrada entre o Rei e o Infante D.Afonso.
A outra versão relata que, para agradecer a Senhora de Jerusalém ter livrado Pombal de uma praga de gafanhotos, Dona Maria Fogaça, que vivia no Rossio do Cardal, instituiu festa anual e mandou fazer dois bolos de trigo para oferecer a populaçăo.
Porque eram enormes, entortaram-se os bolos, já no forno. Então um criado, invocando Nossa Senhora, foi dentro ajeitá-los e voltou ileso. De novo o povo proclamou milagre e com uma só história se explicam duas tradiçőes.
Locais de interesse: castelo, igrejas de S. Martinho e de Nossa Senhora do Cardal, ermida de Santo António, capela de Nossa Senhora da Piedade, museu municipal Marquês de Pombal.
Mercado: 2ª e 5ª feira.
Festa do Bodo: último domingo de Julho.
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Serra de Sicó
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Com 553 metros no ponto mais elevado, esta serra que dá nome a todo o maciço calcário é a mais alta do seu bloco ocidental.O modo como se eleva no contexto regional terá provocado a exumação praticamente total dos depósitos de cobertura, pondo a descoberto a rocha calcária. O intenso processo de lapiazação que sofreu, faz da Serra de Sicó um dos magníficos exemplos de paisagem cársica da região.
Além dos extensos campos de lapiás, podem ser aqui encontradas outras formas cársicas de superfície e de profundidade. É o caso das dolinas parcialmente desmanteladas que se anicham no vasto colo que separa o Monte de Sicó do seu irmão ocidental, o Monte do Ouro, e também o caso de alguns algares e lapas que, benificiando da intensa fracturação tectónica que esta área terá sofrido, ocorrem sobretudo a oriente da serra (Lapa da Cerâmica, Algar da Lagoa, Algar da Pena Só, Algar da Ervilha, etc.) numa área que é hoje uma das mais procuradas pelos espeleólogos.
A forte assimetria e, nomeadamente, a íngreme escarpa que constitui a vertente nordeste tornam o ponto somital desta serra num magnífico miradouro donde se pode avistar, para este, parte significativa do maciço calcário e, para sul, uma vasta área que leva a Serra de Alvaiázere e, em dias de boa luminosidade, ao Maciço Calcário Estremenho. Pena é que este cimo, apesar de mal servido por estreito caminho, praticamente só acessível a veículos de todo o terreno, se apresente hoje bastante descaracterizado. Por um lado, a necessária torre de vigilância a incêndios e as úteis antenas de rádio; por outro lado, uma inacabada capela e o inestético terreiro de cimento com que se pretendeu apoiar romarias que levam os fiéis da regiăo ao cimo da Serra de Sicó, onde o carácter aberto dos espaços e a aridez e sumptuosidade da paisagem convidam a reflexão interior e a espiritualidade.
Neste maciço cujas características estruturais e geomorfológicas conduzem a uma forte penetração das águas superficiais no interior da massa calcária, tornando a superfície seca e a rocha nua, desenvolve-se, assim condicionada, uma vegetação de características mediterrânicas da qual constituem relíquias as raras manchas dos balcedos de carrasco e pequenas áreas residuais das matas de carvalho-cerquinho e sobreiro.
A expansão da agricultura, sobretudo os olivais, esporadicamente pinhais e eucaliptais, a acção do fogo e do pastoreio transformaram a vegetação da Serra de Sicó. Assim, apresenta-se hoje muito desnudada, praticamente constituída por um mato onde domina a erva-de-Santa- Maria, a roselha-grande e o saganho-mouro.
Nestas zonas abertas vegetam com facilidade as orquídeas e outras plantas bolbosas e rizomatosas, tais como a erva-língua-maior e a Ophrys scolopax subsp. scolopax. O seu elevado interesse comercial, leva a que sejam muitas vezes colhidas tão intensamente que rápido se tornam espécies em vias de extinçăo.
O Narcissus calcicola, a coroa-imperial e a arruda-dos-muros comum sobretudo nas fendas das rochas básicas, sob coberto de carrascal ou em matos baixos, podem já considerar-se raridade em Portugal.
Do alto de uma escarpa ou do ramo de uma árvore, o bufo-real, vigia o seu território em movimentos de cabeça de uma sobranceria imperturbável. Afere os aparelhos auditivo e visual; com precisão de radar localiza a presa e, em voo silencioso, precipita-se de garras esticadas até a desprevenida vítima: é o ritual de caça do grande predador noctívago.
De dia, dorme preguiçosamente protegido pela imobilidade das sombras dum buraco, na falésia calcária, aguardando a chegada da noite. O alvoroço das avesitas que freneticamente denunciam a sua presença deixa-o impávido.
Raríssimo na região e no país, o mocho-real, como também é conhecido, ocupa lugar de relevo entre as jóias naturais de Sicó.
Não se pode ficar insensível perante os perigos que ameaçam a biodiversidade de uma área já de si tão árida que Raul Proença lhe chamou a mais descarnada das montanhas de Portugal, mas que também por isso é das mais belas.
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As aldeias
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Como acontece em todo o Maciço de Sicó, as aldeias serranas surgem em regra na bordadura de uma grande depressão cársica ou de um valeiro seco onde se acumulam formaçőes superficiais capazes de gerar solos agricultáveis e reter a quantidade mínima de água necessária para dessedentar o gado.
Das aldeias, pequenas e pobres, que se encontram neste sector, salientam-se duas, situadas na estrada interna do maciço que liga a EN1, na Redinha, ao IC8 no trajecto Pombal-Ansião: Ereiras e Pousadas Vedras.
Curiosamente, a povoação de Ereiras parece ser de formação bastante mais recente do que a maior parte das aldeias que assinalamos neste roteiro, pois năo figura no censo de 1527. Pelo contrário, Pousadas Vedras aparece aí mencionada com 13 vizinhos, pequeno lugar afecto a Redinha que então contava 150.
Durante séculos, a sua história segue de perto a desta vila; englobada no foral templário do séc. XII, veio a pertencer a vigairada da Ordem de Cristo do Colégio de Coimbra e a beneficiar do foral novo de D. Manuel, em 1513. Aliás, esta ligação é provavelmente bem mais antiga, a confirmar-se que os vestígios de calçada conservados em Pousadas Vedras são da época romana.
A zona que se estende para sul da Serra de Sicó, atravessada pela estrada que liga Pombal a Ansião, é muito rica em vestígios arqueológicos. Entre os mais valiosos, citam-se as antas do Alto da Carrasqueira e do Alto da Feteira e o abrigo insculturado de Guístola, a sudoeste da Ribeira de S.Lourenço
Do lado oposto, distinguimos Vale do Milho e Campodónio entre diversos lugares de achados romanos, em torno de Abiúl, vila estranha como o próprio nome.
D. Afonso Henriques concedeu-lhe foral que se acha transcrito em pedra junto da igreja e que D. Manuel renovou. Abiúl é uma terra cheia de mágoas e estórias: as ruínas do paço dos Duques de Aveiro a cujo senhorio pertenceu até 1759; o forno da Praça Velha que foi centro da festa e da lenda partilhadas com Avelar e Pombal ; a praça de touros de que os moradores muito se orgulham.
Malgrado alguns restauros, a igreja consagrada a Nossa Senhora das Neves é digna de visita, e mais ainda a merece a ermida da Conceição.
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