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 CIRCUITO 8: ALVAIáZERE - ARIQUES
Mapa
Visita Virtual
Carvalhal e Azinhal de Ariques
A sede do concelho
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A unidade aqui definida inscreve-se nos concelhos de Alvaiázere e Ansião.
Alvaiázere é nome de clara filiaçăo árabe. Pareceu a alguns estudiosos derivar de uma expressão que significaria o campo aromático mas investigaçăo mais recente propőe outro significado: o falcoeiro. Dois nomes bem adequados a tais terras. Mas a opinião abalizada de uma linguísta árabe precisou o seu significado: "campo de laranjeiras em flor".
Na Antiguidade, elas atraíram muita gente, em diferentes épocas, sendo diversos os testemunhos arqueológicos. Durante o último milénio, multiplicaram-se os povoados proto-históricos em torno de Alvaiázere, como as Antas do Ramalhal, em Rego da Murta, năo faltando também vestígios de ocupação romana. Aliás, por aqui passava uma variante à estrada de ligação entre Sellium e Conimbriga e, no cimo da Serra, depois de atravessar o Miradoiro que Miguel Torga considerava o mais vasto de Portugal, em lugar a que chamam Carreira dos Cavalos ou Muredo, ruínas ditas de castelo aguardam a continuidade da investigação que as classificou como uma Castro da Idade do Bronze, com poderosas e extensas muralhas ainda bem visíveis. Nos arrredores de Alvaiázere, numerosos vestígios parecem indiciar a presença romana no sítio da Rominha, Cereijal.
D. Joăo I elevou Alvaiázere a condição de vila, mas o primeiro foral que teve atribuiu-lho, em 1200, D.Sancho I. Pertenceu a Ordem dos Templários, depois a Ordem de Cristo e, por doação de D.Duarte a D.Leonor, entrou no domínio da Casa Real. Mais recentemente, foi pertença da Casa de Cadaval que muito a beneficiou.
A sua localização, numa ampla e fértil depressão, encastoada na base da serra mais elevada de todo o território de Sicó, parece desde logo ditar a grande importância que o sector agrícola assume no conjunto do concelho. Cerca de 30% da populaçăo activa concelhia e 11% da freguesia a que pertence a sede do concelho, estão ocupadas em actividades agrícolas com realce para a produção de azeite, vinho e mesmo - em função da posiçăo meridional que ocupa - de cortiça.
No entanto, além da agricultura e de algumas indústrias cerâmicas e alimentares, são o pequeno comércio e os serviços públicos que empregam a maior parte da populaçăo e dão vida à sede de um concelho com 8.443 habitantes, registados no recenseamento de 2001.
Ainda que pequena e privada de alguns bons edifícios antigos, esta vila guarda um ar senhorial e uma beleza simultaneamente rude e altiva que logo conquista o visitante. O seu Centro Cultural, fruto da recuperação de um edifício antigo, possui todos os equipamentos modernos para a realização de pequenos congressos. Em fase de instalação, está o Museu Municipal.
Um moderno Parque de Campismo e Caravanismo, rodeado por um complexo de piscinas municipais e envolvido pela frondosa Mata do Carrascal, convida o visitante a permanecer.
Mas é no campo onde se conserva o património mais precioso: o imenso carvalhal e azinhal da Serra de Ariques guarda e conserva a mais rica biodiversidade: oliveiras milenárias, carvalhos e zambujeiors centenários, preciosas orquídias, lírios e roseiras bravas, servindo ainda hoje de refúgio a javalis e gatos-bravos, ginetas e raposas, monumentais rapinas como o bufo-real e colónias de raríssimos morcegos, entre mais de seiscentas espécies recenseadas da fauna e da flora mediterrânicas.
Locais com interesse: Igreja Matriz, Capela de Nossa Senhora dos Covães, Solar dos Pachecos, Casa de Santa Rosa, Chafariz da Vila.
Mercados e feira: semanal, 4ª feira; Feira de Santo António: Junho (domingo 13 ou seguinte), actualmente Fatipa. Feira dos Cabaços: 1 domingo do ano.
Gastronomia: Queijo de cabra, carne de rebolão(cabra), chícharos
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Serra de Alvaiázere
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Com 618 metros de cota máxima, a Serra de Alvaiázere é a mais elevada do conjunto do Maciço de Sicó e o elemento meridional de um conjunto de serras e planaltos que decalcam o afloramento de calcários do Jurássico médio, no sector sudeste desta região.
É marcada por uma forte assimetria Este-Oeste e impõe-se pelo modo como domina as terras planas e baixas que a envolvem. A escarpa mais importante, a que olha a Oriente a depressão e a vila de Alvaiázere a que pertence, tem um comando total superior a 300 metros que logo impõe esta serra aos olhos de quem percorre a estrada que liga Condeixa e Tomar, passando por Penela.
Como principais atractivos deste altos, citemos os vários e interessantes miradouros, com soberbas vistas para praticamente todas as direcções, as pequenas lapas e os algares que perfuram interiormente a serra e os campos de lapiás esculpidos no seu cimo plano. Por terem estado enterrados, os lapiás tęm as vezes formas mais arredondadas e, consequentemente, menos agressivas e, nalguns casos, por vissicitudes do modo de evoluçăo cársico, săo de pequena dimensăo.
Assim acontece na ponta setentrional, no local onde terá existido um Castro da Idade do Bronze. O modo como os lapiás, os muros e montículos de pedras se combinam aqui com os tufos de carrasco e os pés de zambujeiro, proporciona um magnífico exemplar de paisagem cársica, merecedor de um pequeno passeio a pé. Actualmente, ainda cresce aqui em abundância o alecrim que, em regra, já só se encontra cultivado.
No cimo da Serra está instalada uma pista de parapente.
No sopé ocidental, abre-se a vasta depressão do Bofinho cuja configuraçăo sugere uma génese ligada a processos cársicos. Ligadas também a esses processos estão duas das formas que nesta depressão se desenvolvem: uma é a bonita dolina em funil que, aproveitando a falha oriental da serra, se abre junto à Aldeia do Bofinho. Outra é o amplo anfiteatro, de tipo reculée ou fórnia, com que a montante termina o pequeno vale que, localmente, vai marcar a sepação.
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Serra de Ariques e Serra do Mouro
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Para Norte, desenvolve-se um conjunto de pequenas serras que, apesar de progressivamente menos elevadas, se mantêm bem destacadas na paisagem envolvente e conservam alguns traços da morfologia cársica que as torna muito semelhantes à Serra de Alvaiázere. É o caso das Serras de Ariques, do Castelo, da Portela, de Casal Soeiro, da Ameixeira e do Mouro.
O jogo tectónico associado a, por vezes fraca, espessura dos materiais calcários do Dogger constituintes destas serras, leva a que, aqui e além, possam aflorar as margas e os calcários margosos do Liásico, entrando de imediato a funcionar os mecanismos hidrológicos e de erosão diferencial que originam formas tão curiosas quanto espectaculares.
O confronto de materiais de diferente natureza litológica e de distinto comportamento hidrológico está na base da génese dos amplos anfiteatros que ocorrem na Serra de Casal Soeiro. Com efeito, os vales da Ucha e do Casal Soeiro săo dos melhores exemplos de formas de tipo reculée que podem encontrar-se em todo o maciço. Porém, nem sempre săo perfeitamente detectáveis as exsurgencias que tem origem no contacto dos calcários do Dogger com as margas liásicas e a rápida evolução que actualmente sofrem mais parece dever-se a intensa erosão mecânica que as enxurradas do Inverno provocam.
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O carvalhal e azinhal da Serra de Ariques
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No prolongamento das terras de Ansião, Alvaiázere também produz muito azeite. na Serra de Ariques o olival anda plantado em socalcos, um para cada árvore.
Todavia, na zona compreendendo a Gramatinha, a Portela de S. Lourenço, a Portela de S. Caetano, a Serra de Ariques e Casal-dAlém, a vegetação espontânea é um pouco diferente das restantes, com predomínio da azinheira no estrato arbóreo, o que só pode explicar-se pela situaçăo geográfica.
De facto, a azinheira possui adaptações a secura mais evidentes do que o carvalho cerquinho: é uma árvore de dimensão modesta, com folhas menores, persistentes, duras e coriáceas. Com tais características, ocorre sobretudo a sul do Tejo e nas encostas meridionais da parte oriental do território português, com um clima continental ou, melhor dito, onde a influência do Atlântico já mal se faz sentir.
Associados à azinheira surgem o carvalho-cerquinho e o carrasco, estando ainda presentes muitas outras espécies características das florestas mediterrânicas, quer arbustivas quer herbáceas, de que salientamos a salva e duas orquidáceas: Flor-dos-macaquinos-dependurados e Cephalanthera longifolia. Aqui, entre as aldeias de Ariques (Alvaiázere) e Gramatinha (Ansião) se encontram alguns dos mais belos exemplares de oliveiras milenares e centenários carvalhos.
Muitas vezes, a acção humana converteu os azinhais em matagais onde a gineta se sente em casa, pis adapta-se muito bem a este ambiente. À borda da falésia, na depressão de uma rocha, é fácil descobrir um amontoado de dejectos, verdadeira latrina que usa diariamente e na qual os mais entendidos adivinham o testemunho da sua presença. Mas é escusado procurar, pois este bicho tem hábitos predominantemente nocturnos, e durante o dia repousa, enrolado em si mesmo, das fadigas da última noite.
Podemos, contudo, imaginar as suas deambulações por estas bandas: em passos cautelosos, focinho rente ao chão e cauda empinada, com os seus anéis de pelos negros e dourados, orelhas espetadas atentas ao mínimo ruído. Olhar arisco, de olhos profundos adaptados à luz da noite, caminhar ligeiro em patas almofadadas, paragem no cimo de uma rocha, descanso no grosso ramo de uma árvore.
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Flor-dos-macaquinhos-dependurados
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Cephailanthera longifolia
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Aldeias e sítios
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São muitas as aldeias e pequenos lugares situados nestas serras ou nos seus sopés que merecem visita, seja pela beleza dos locais em que se inscrevem ou dos panoramas que deles se divisam, seja pelo pitoresco que guardam.
Infelizmente são numerosos os que, se não completamente desertos, apenas se encontram habitados por meia dúzia de pessoas mais idosas que resistem a separar-se das casas rústicas, das pedregosas courelas e das poucas cabras e ovelhas que as sustentam.
Estão neste caso Bofinho, Aldeia do Bofinho, Mata e Carrasqueiras no extremo meridional da Serra de Alvaiázere, uma zona rica em vestígios arqueológicos das Idades do Bronze e do Ferro.
Um pouco por toda a parte encontram-se com frequęncia as cozas do bagaço que mais não são do que pequenos silos para alimentar porcos criados a vara larga. A transumância de gado suíno pela estrada de Alvaiázere-Ansião, vindo do Alentejo, é citada em documento do séc. XVII e năo se sabe até que ponto podem as cozas estar relacionadas com ela e quanto.
Pelmá, a sede de freguesia, encontra-se bem localizada perto do Nabão e de uma confluência de caminhos que podem ter longínqua origem e ajudar a entender por que se encontrou aqui um tesouro romano de numerosas moedas de ouro, prata e bronze. Foi em 1751, quando Pelmá era priorado do Conde de Atouguia. Alguns anos mais tarde, por causa de um atentado contra D.José, passou para a Casa Real.
Mais a Norte, na freguesia de Maçãs do Caminho, fica a Marzugueira que, juntamente com Penedos Altos e a Gramatinha, revelaram artefactos da Idade do Bronze. Casal Soeiro e Pousaflores, já no concelho de Ansião, integram-se numa área arqueologicamente rica e culturalmente coerente cujo horizonte cronológico recua as instalaçőes de ar livre da Pré-história recente.
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