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CIRCUITO 2: PENELA - RABAçAL
Mapa | Visita Virtual | A sede do concelho | A Serra do Espinhal. No caminho da Rota da Bacia do Zêzere. | A depressão do Rabaçal ou do Rio dos Mouros | Algar de Janeia | Os morros envolventes da depressão | Exsurgências | A fauna dos campos | Aldeias e Sítios

 Mapa
 Visita Virtual
  • Villa Romana do Rabaçal
      A sede do concelho
    Esta unidade compreende terras pertencentes aos concelhos de Condeixa (p.24) e Penela.

    Remonta a 1137 a criação, por D. Afonso Henriques, do concelho de Penela cujos limites tem variado bastante, desde então aos meados do séc. XIX.

    O concelho tem 6.547 habitantes contados no recenseamento de 2001 e a vila de Penela situa-se numa área de relevo acidentado, a oriente do Maciço de Sicó e já nos contrafortes da Serra da Lousã. Esta posição e o sítio alcandorado que ocupa, aparentemente pouco favoráveis ao desenvolvimento actual, foram no entanto determinantes, durante a Reconquista cristã para a escolha de Penela como importante guarda-avançada da cidade de Coimbra.

    O castelo remonta ao séc. XI, mas as suas muralhas actuais datam dos séc.s XIV/XV, sendo visível a influência árabe na arquitactura da Porta da Traição, aberta em cotovelo sob uma torre. Na plataforma da alcáçova ergue-se a igreja de S. Miguel, não já a primitiva do séc. XII, mas uma construção de meados do séc. XVI, com uma invulgar planta que não segue o cânone de virar a cabeceira para nascente. Por ausência de espaço ou por ter vindo a ocupar a única área disponível onde se situava a antiga mesquita? Um cemitério medieval escavado na rocha completa o conjunto. No seu interior, o altar de talha barroca do séc. XVII e a Virgem com o Menino, obra do escultor da renascença coimbrã João de Ruão, datada de 1530/40.

    Também merece visita o pelourinho, agora colocada na Rua 25 de Abril, de fuste oitavado que conserva quatro ferros de suplício em forma de serpente, a testemunhar a sua origem medieval.

    A Igreja da Misericórdia, segunda metade do séc. XVI,  ostenta na fachada elementos Manuelinos-Renascentistas e maneiristas e o seu património mais valioso é uma bandeira processional sobre a Piedade e a Misericórdia, da autoria do pintor Ernesto Condeixa (membro do Grupo do Leão, séc. XIX).

    Num concelho predominantemente agrícola em que cerca de um quinto da população activa trabalha no sector primário, a indústria organiza-se em pequenas unidades agro-alimentares, com destaque para o queijo do Rabaçal: lacticínios e lagares de azeite. O sector terciário, emprega cerca de 40% da população, sobretudo em serviços relacionados com as instituições públicas concelhias.

    Apesar dos problemas de desenvolvimento económico, típico aliás das regiões mais interiores do país, as belezas naturais e a enorme variedade da paisagem são valores e mesmo recursos com que importa contar para o desenvolvimento futuro deste concelho. Bom exemplo está na própria vila que merece uma visita aturada. Será extremamente gratificante subir as suas ruas tortuosas para chegar ao Castelo e do alto das ameias poder fruir o corredor do Dueça que se estende para sul; a oriente, as lombas arredondadas da Serra da Lousã e as despidas cristas quartzíticas do Espinhal; do lado oposto – belíssimo sobretudo ao pôr-do-sol – o imponente e escalvado “dorso de baleia” do Monte de Vez com que se inicia, aqui, o Maciço de Sicó.

    Locais de interesse: castelo, igrejas de S. Miguel, Santa Eufémia e Misericórdia, convento de Santo António (em ruína), gruta.

    Feira de S. Miguel: 29 Setembro:

    Mercado semanal: 5ª feira.

    Largo da Misericórdia

     A Serra do Espinhal. No caminho da Rota da Bacia do Zêzere.

    A Serra do Espinhal já não pertence ao maciço calcário. Por aqui se encontram as superfícies de contacto entre as rochas mais antigas da Era Paleozóica (248-543 Ma) e  os afloramentos da orla Mezo-Cenozóica. Saindo do enrocamento do castelo de Penela, surgem as camadas de arenitos do Triássico (206-248 Ma), de cor avermelhada e escura, claramente visíveis na berma das novas estradas que atravessam o amplo vale do Espinhal

    Começando a subir a Serra,  emerge o xisto enegrecido e castanho, com a forma da "massa folhada",  enrugado pela força tremenda da tectónica da terra-mãe. Por um curioso sortilégio da natureza, na ampla plataforma onde se situa o antigo campo de futebol do Espinhal, virada para a encosta sudoeste de Penela, abre-se na vertente uma janela do tempo geológico, fixando o momento em que o choque da placa africana com a placa europeia provocou o cavalgamento do Soco Hercínico sobre as rochas da orla.

    Subindo sempre, uma placa indica a "Pedra Ferida", uma cascata no fundo do vale, a que se chega rapidamente por um carreiro de montanha ou em percurso ao longo da ribeira. Descendo ligeiramente atinge-se a plataforma do Miradoiro da Pedra Ferida, de onde se desfruta de uma vista panorâmica. No meio dos eucaliptos e pinheiros. o carvalho negral substitui agora o carvalho-cerquinho de Sicó e procura recuperar o seu nicho ecológico.

    Mais acima a estrada bifurca: à esquerda conduz à Ribeira da Louçainha e às suas piscinas fluviais, por caminho marcado pelas "alminhas", atravessando um raro e difuso souto de castanheiros, relíquia vegetal com árvores centenárias que persistem em renascer.

    No topo das montanha estamos em plena Serra da Lousã. Ali se ergue a crista quartzítica de S. Salvador do Deserto, há mais de 500 Ma, antigo santuário natural e ermitério. Do alto da sua capelinha avista-se um mar de montes e cabeços que rolam para o Oceano Atlântico.

    Nestas paragens, que Eugénio de Castro evoca nas suas crónicas do princípio do século XX, achamos os caminhos da nova Rota da Bacia do Zêzere.

     A depressão do Rabaçal ou do Rio dos Mouros

    Do ponto de vista geomorfológico e mesmo paisagístico, o principal motivo de interesse desta área parece ser a vasta depressão do Rabaçal. Esta forma deve-se, antes de mais, ao comportamento mais brando das formações calcomargosas do Liásico médio e superior em relação aos materiais calcodolomíticos sobre os quais assentam e aos materiais calcários que se lhe sobrepõem. Com cerca de 12 km de comprimento, das proximidades do Alvorge até ŕ entrada do canhão de Conimbriga, por uma largura que normalmente oscila entre 1 e 2,5 km, esta depressão, embora relacionada com o rio dos Mouros, parece ter, na sua origem e evolução, pouco a ver com o ribeiro sazonal que hoje percorre o seu fundo.

    O limite ocidental da depressão é bem nítido, marcado pela linha de costeira cuja cornija se talha nos calcários margosos compactos. Os limites oriental e meridional, mais recortados e confusos, correspondem a passagem para as colinas dolomíticas ou para os relevos de Castelo do Rabaçal, Gerumelo, Monte de Vez, Ateanha e Cruzeiro que devem o essencial da sua morfologia as escamas calcárias que os encimam, protegendo os materiais calcomargosos subjacentes.

    Os melhores pontos para observação da Baixa do Rabaçal, autênticos miradouros naturais, situam-se em regra a ocidente, no cimo da já referida cornija, nas serras de Janeanes, de Maria Pares, do Pombalinho ou de Alvorge; mas no lado meridional e do lado oriental, há igualmente bons miradouros: Monte de Vez e os pequenos morros trapezoidais de Ateanha e do Cruzeiro

    De qualquer dos pontos referidos, pode observar-se uma paisagem em que a agricultura se resume praticamente ao amanho da vinha, a apanha da azeitona muitas vezes em velhas e mal tratadas oliveiras e ao cultivo, cada vez mais reduzido, de cereais de sequeiro. O carácter mediterrânico da paisagem é imposto não só pela célebre trilogia agrícola do pão, do vinho e do azeite já apontada por Orlando Ribeiro, como também pelos socalcos para suporte das oliveiras, pelos muros de divisão da propriedade e pela aridez geral que se sente na paisagem.

    As chuvadas fortes e concentradas, o desaparecimento do coberto vegetal das vertentes calcomargosas, normalmente recobertas por cascalheiras móveis e as condições de declive e de exposição favorecem a instalação e o desenvolvimento rápido de ravinas, por vezes autênticos barrancos, que podem ser observadas nas vertentes nuas.

    O que, em regra, não é visível de nenhum dos miradouros naturais atrás referidos é o leito do pequeno ribeiro que drena toda a depressão, de tal forma parece ser reduzida a sua importância. Este curso de água vai mudando de nome a medida que, encaminhando-se para o Mondego de que é tributário, muda de condição: primeiro é o ribeiro do Caráglio Seco, o pequeno curso temporário; mais ŕ frente, junto a Conimbriga, é já o rio de Mouros que ganha, na exsurgência da Arrifana, o carácter de curso de água permanente; finalmente, passa a ser a Vala da Éga ou de Alfarelos quando, já próximo da confluência com o Mondego, divaga na planície aluvial que foi criando.

    No lugar da Fonte Coberta, rico em água proveniente de ocorrências dos montes circundantes, encontram-se os lameiros, formações agrícolas pouco comuns nesta região e que lembram os prados de lima das serras do norte. Inscrevem-se na típica paisagem rural portuguesa, chamada “de bocage” que a industrialização tem condenado ao desaparecimento.

    Os lameiros são sobretudo produtores de forragens para os animais, salientando-se a ervavaqueira, o amor-de-hortelão, a chicória, as ineixas, a urtiga-morta, a erva-azeda, o saramago, as damas-entre-verde e a faveira.

    No entanto, constituem ainda local privilegiado para algumas orquídeas como o moscardo-fusco e a flor – dos macaquinhos - dependurados, ou o Narcissus serotinus muito pouco comum no centro do País.

    Depressão do Rabaçal

    Ateanha

    Azeite, vinho e pão

    Damas-entre-verde

     Algar de Janeia

    Percorridos cerca de 5 km após a saída de Condeixa na estrada que liga a Penela, é bem visível a “boca” deste grande algar situado a uns 300 metros a oriente da estrada.Com uma profundidade máxima da ordem dos 45 metros, o Algar da Janeia apresenta uma enorme entrada circular, com cerca de 35 metros de diâmetro, cuja origem estará no facto de ele ser resultante do abatimento do tecto das galerias subterrâneas que drenavam este sector das colinas dolomíticas.

    A vegetação que surge neste espaço, bem como noutras formações cársicas, é algo particular, dado que estas zonas se encontram, regra geral, bastante protegidas da acção directa dos raios solares. Trata-se, portanto, de zonas sombrias e húmidas, durante a maior parte do ano.

    Implantados nas próprias vertentes deste algar, observam-se numerosos exemplares, muito bem desenvolvidos, de figueiras. Outras espécies arbustivas presentes são o loureiro, a gilbardeira e o carrasco. Encontram-se poucas espécies de lianas atingindo, contudo, grande desenvolvimento, a raspa-língua, a hera e a legação que tornam algo difícil a penetração no interior da caverna.

    As condições de humidade e obscuridade do local, cujo cheiro típico da presença de fungos é notório, favorecem o aparecimento de umbrófilas.

    Plantas já extremamente raras em Portugal como a língua-cervina e outros dois fetos – o avencão e a avenca-negra – podem ainda ver-se aqui.

     Os morros envolventes da depressão

    Bordejando a oriente e a sul a depressão do Rabaçal, estes morros com altitudes de 367m no Castelo do Rabaçal, 409m no Gerumelo, 375m no Cruzeiro, 422m na Ateanha e 513m no Monte de Vez, destacam-se perfeitamente na paisagem e constituem excelentes miradouros sobre a depressão.

    Devem o essencial da sua forma, cónica nos dois primeiros casos, e grosseiramente trapezoidal, nos três últimos, ao complexo jogo tectónico que permitiu a sobreposição das camadas margosas liásicas por escamas mais ou menos espessas de calcários puros e duros do Jurássico Médio. No caso do Monte de Vez e da Ateanha, em que o afloramento das rochas calcárias do Dogger é mais extenso, porventura em função da maior espessura, chegam a gerar-se pequenos carsos suspensos que para além dos habituais campos de lapiás contam também com pequenas dolinas e, mesmo, algarochos onde se perde a pouca água caída nos seus cimos.

    Mercê da altitude e da posição que ocupa, avista-se do Monte de Vez uma larga porção de território que em muito ultrapassa a citada depressão do Rabaçal. Para oeste, vislumbram-se, passado o vale do Dueça, as paisagens do interior serrano português, nomeadamente as das serras hoje praticamente calvas devido ao flagelo dos incêndios florestais, da Lousã e do Espinhal. Para sul, avista-se todo o conjunto de serras calcárias até a Serra de Alvaiázere.

    Fruto da degradação do carrascal, estas zonas constituem autênticos descampados calcários, apenas revestidos de roselhas e erva-de-Santa-Maria a que, por vezes, se associa o rosmaninho. São formações muito ricas em orquídeas terrestres como os rapazinhos, a erva-vespa a flor - dos - macaquinhos - dependurados e outras plantas rizomatozas e bolbosas tais como liliáceas e amarilidáceas, em que sobressai o lírioroxo e as campainhas-amarelas.

    No Monte de Vez merece especial referência a presença do feto-macho, uma planta calcífuga e heliófila que se instala de imediato sempre que a acção do homem provoca a degradação de um ecossistema florístico. À actividade humana se deve também a introdução da oliveira, do pinheiro-bravo, do cipreste e das acácias, bem como a ocorrência de ruderais, ou seja, plantas em geral de pequeno porte que surgem fundamentalmente na primavera, nos caminhos e campos agricultados. Entre as mais frequentes, citam-se as serralhas, o dente-de-leão, a bolsa-de-pastor, a agulha-de-pastor e a almiscareira.

    Rapazinhos

     Exsurgências

    São raras as exsurgências do bordo oriental das serras calcárias ou do bordo ocidental da depressão do rio de Mouros. As principais – Legação, Alcalamouque e Fonte do Alvorge – situam-se, por esta ordem, de norte para sul e aproveitam grosseiramente a passagem dos calcários do Dogger para as margas e calcários margosos liásicos, em regra mais impermeáveis.

    Apenas a Fonte do Alvorge parece ter carácter permanente, com um caudal instantâneo que varia entre os 5 e os 50 litros por segundo, e um caudal médio anual da ordem do milhão de metros cúbicos. As outras duas são sazonais, secando durante o estio ainda que apresentem caudais médios anuais sensivelmente semelhantes ao do Alvorge. Este facto não impediu que, já nos anos sessenta, a exsurgência do Legação tenha sido alvo de trabalhos com vista ao aproveitamento público das suas águas, o que todavia não logrou êxito.

     A fauna dos campos

    Nos espaços de policultura agrícola – onde os olivais se encostam as vinhas, e os prados de sequeiro confrontam a montante com espaços de floresta, pouco densa mas diversificada, e a jusante com pequenas hortas ou simplesmente com culturas mais viçosas – homens e animais interajudam-se.

    O sapo tradicionalmente aceite como auxiliar do agricultor executa, na clandestinidade e na humidade da noite, as suas movimentações de cultura para cultura, cruzando as estradas e caminhos onde frequentemente os encontramos.

    A Cobra-rateira – a maior das cobras que ocorre no país – fazendo juz ao seu nome, busca nas terras de cultura a distracção dos roedores, entretidos em manjares que não foram para eles cultivados.

    A gralha manifesta ruidosa e descuidadamente a sua presença em toda a região com gritos roucos e trocistas. Esta ampla distribuição e frequente presença está relacionada com a variedade de alimentos a que se adaptou, preferindo aparecer em bandos mais ou menos numerosos, em campo aberto, nas escarpas ou no topo das árvores mais altas. Só o olhar atento dos ornitólogos a distingue do corvo, mais raro, maior e mais discreto.

    Afamada frequentadora dos espaços abertos em que predominam as plantas produtoras das sementes ou abundam os vegetais e insectos de que se alimenta, a perdiz foi, a par do coelho, a responsável por um incessante calcorrear dos caçadores por estas encostas. Peça de caça desejada ou necessária, a perdiz já teve a sua população muito mais numerosa quando quase nenhum metro quadrado de terreno escapava ao sulco dos arados.

     Aldeias e Sítios

    Embora pequenas e modestas, estas povoações merecem a homenagem de uma visita, pois quase todas nasceram desse esforço desmedido que reuniu soldados, nobres e plebeus, gentes de bem e criminosos para a reconquista definitiva das terras que a moirama detinha ao sul do Mondego.

    A maior parte possui foral ou referência em documento da primeira metade do séc. XII que dão notícia do papel que elas desempenharam nos inícios da nacionalidade, seja na guerra, seja no cultivo das terras em grande parte afectas ao poderoso mosteiro de Santa Cruz de Coimbra.

    Alguns lugares têm seu nome etimologicamente ligado a presença árabe, como Alfafar, que quer dizer oleiro, e em 1147 deu guarida a D. Afonso Henriques no seu avanço sobre Santarém. Noutros, guardam-se lendas ou simples menção de mouros e mouras, como na Póvoa da Pega.

    Das grandes mudanças na política, na constituição da sociedade e no gosto artístico, operadas na época dos Descobrimentos, são testemunho os forais e outros privilégios concedidos por D. Manuel I e muitas das igrejas e capelas destes lugares.

    Apesar das alterações que sucessivamente sofreram e dos inevitáveis acrescentos de talhas barrocas e neoclássicas, é sempre identificável a marca quinhentista, de estilo coimbrão, na estrutura do templo, na sua decoração ou nas imagens dissimuladas por horrendos e quase inevitáveis repintes acrescentados ao longo dos séculos.

    Ao redor de Penela, vale a pena procurar as ruínas do paço do Infante D. Pedro, na Chaqueda, e as fontes do Valouro, um vale de ouro que foi vinha citada em 1145 e serviu de cenário para novela pastoril, nos finais de Quinhentos.

    No local da capela de Nossa Senhora da Graça, em S. Simão, existia no séc. XIII um eremitério do mesmo nome e aí se escondem vestígios, incluindo mosaico, de villa romana.

    Na povoação do Rabaçal, deve fazer-se uma pausa mais demorada e aproveitar para adquirir o queijo a que deu o nome. Em si mesma não levanta encómios; é de modesta construção, cingida a “estrada de Coimbra” que já no séc. XIII servia com a sua albergaria de Santa Maria Madalena.

    Aliás, dessa estrada lhe veio a importância, chegando a ser sede de concelho durante três séculos e desse facto guarda lembrança a “Casa da Câmara” construída nos inícios do séc. XIX e cuja fachada rústica ostenta um bonito escudo, representando os reinos de Portugal e Brasil.

    Diz-se que, no séc. XVIII,  imagem da Senhora da Piedade, muito milagrosa, acudia gente de romaria todo o ano. Actualmente, o grande motivo de atracção é a villa romana situada no lugar de Moroiços, a pouco mais de um quilómetro da estrada romana que passava em Tamazinhos, hoje povoação quase desfeita, que se integra no Circuito da Romanização.

    Ainda que bastante arruinada, a área descoberta revela uma construção rica, em planta octogonal muito rara, decorada de mármores lavrados e excelentes mosaicos figurativos. É um bom exemplo da arquitectura doméstica erudita, encomendada, no séc. IV, pelos proprietários abastados e cultos que buscavam refúgio no campo.

    Na povoação, existe um interessante museu de sítio onde se podem ver alguns objectos recolhidos, visitar o laboratório de restauro, adquirir mais informação, e organizar a visita guida à villa.

    O Vale do Rabaçal é a principal reserva arqueológica da região e o melhor caminho de acesso a uma das suas mais belas paisagens cársicas: A Serra de Janeanes, com o miradoiro de Maria Pares, o campo de lapiás e as "Buracas do Casmilo", abertas no canhão fluviocársico do mesmo nome. Dali se chega, também e facilmente, às ruínas do Castelo do Germanelo, excelente observatório da arqueologia da paisagem.

    Já próximo a Condeixa, encontram-se três lugares interessantes. Fonte Coberta que, em 1991 contava 50 habitantes, deve o seu nome a uma fonte que realmente existe, embora tão degradada que faz pena olhá-la. Em 1669 mereceu ser representada por Pier Baldi, quando Cosme de Medicis lhe solicitou um desenho para memória da estranha paisagem. Ainda que o cenário seja árido, nunca o lugar foi sentido inóspito, existindo suficientes vestígios de ocupação já nos séculos I e II. A sua localização tornou-o palco de episódios militares algo caricatos - diga-se - durante a terceira invasão francesa.

    Um lugar ainda mais pequeno, já que conta apenas 37 habitantes é o Poço (cartografado na unidade II), também chamado das Casas, um dos lugares mais pitorescos da região, o que lhe vem da repartição e antiguidade das suas habitações e também dos montes austeros, grandiosos em dias de invernia, entre os quais se aninha. Até ao século passado, o lugar deu apoio a “estrada de Coimbra”, tirando vantagem da água que ali ressurge em abundância e lhe deu nome. Do Poço, chega-se a ponte que atravessa o rio dos Mouros na base do esporão de Conimbriga, num passeio que oferece uma perspectiva da cidade romana pouco conhecida dos seus visitantes.

    Um dos dois citados austeros montes é o da Pega em cuja base, do lado nascente, se encontra a Póvoa do mesmo nome com 70 habitantes. Nela habita uma das tais mouras que a lenda fez surgir, em ingénuo anacronismo, da destruição de Conimbriga.

    VIlla romana do Rabaçal
    Museu do Rabaçal
     Escudo da antiga Câmara

    Casa no Rabaçal

    Marco miliário de Tamazinhos
     Poço
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